Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2012

Canto Para Minha Morte...

Eu sei que determinada rua que eu já passei Não tornará a ouvir o som dos meus passos. Tem uma revista que eu guardo há muitos anos E que nunca mais eu vou abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez A morte, surda, caminha ao meu lado E eu não sei em que esquina ela vai me beijar Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque? Na música que eu deixei para compor amanhã? Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada, E que está em algum lugar me esperando Embora eu ainda não a conheça? Vou te encontrar vestida de cetim, Pois em qualquer lugar esperas só por mim E no teu beijo provar o gosto estranho Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar Vem, mas demore a chegar. Eu te detesto e amo morte, morte, morte Que talvez seja o segredo desta vida Mort…

Dor...

Dor. O convite não feito. A porta aberta. Negativa. Aceitação. Dilacera meu peito sem vida. Corta com a navalha cega os laços que me prendem ao vazio. Abismo de cores infinitas. Precipício de céu azul. Ah dor... Serena, calada, dolorida. Fere, dói, grita. Amanhã incerto, noite fria. Minutos que vagueiam lentamente no relógio inerte da vida. Vida, que vida?? Segundos que rastejam violentamente no piso gelado do coração. Coração, que coração?? Dor... Levastes embora meu sorriso, deixastes apenas os sulcos abertos por infinitas lágrimas derramadas. Hoje, apenas hoje, o convite tinha que ter sido feito. Eu e a dor...sozinhas, como sempre. Até o fim. Que inicio??

Tempo Perdido...

Hoje me dei conta de quanto tempo perdi. De quanto tempo joguei fora amando quem nunca mereceu ser amado. Por mais que acredite que o amor que sentimos nunca é perdido, hoje me sinto assim. Vazia, oca, cansada... Não há dor, não há mágoas. Apenas perguntas sem respostas, respostas sem perguntas. Infância jogada fora, marcas no corpo e na alma das incontáveis surras. Pernas doloridas, mãos calejadas, olhos quase fechados. Noites de planos infindáveis, de vinganças não realizadas. Dias de túmulos solitários, flores murchas e vento frio. Rejeição, indiferença...pais que nunca existiram. Amor que nunca se fez, palavras que jamais foram ditas e afagos que não serão mais dados. Pq o tempo, senhor de tudo e de todos, não me permitiu perceber as coisas antes? Queria entender as inúmeras possibilidades perdidas, os comprimidos que nunca foram tomados, a tesoura que nunca conseguiu adentrar o pulso sem vida. Ah...coragem, por onda você?? Se já não há mais tempo e nem motivos, pq ainda se escon…

Divulgando...

Você conhece o livro Para Sempre Ana, do autor Sergio Carmach? Ele já foi lido por centenas de pessoas e está com a primeira edição momentaneamente esgotada nas livrarias. Entre os leitores, estão muitos blogueiros, que deixaram suas impressões sobre o livro em dezenas de resenhas espalhadas por aí. Abaixo, trechos de algumas: (veja aqui uma relação com 87 blogs que resenharam o livro) “O livro é uma verdadeira viagem interior, na qual questiona as atitudes humanas e a sordidez do egoísmo. Permeado pelo romance de fundo, os sentimentos são colocados em dúvida e as atitudes avaliadas de forma psicológica, tornando a leitura fluente, cheia de significados ocultos por trás das personalidades de seus protagonistas e instigando a curiosidade através de todo um mistério, desvendado apenas nas últimas páginas.”Rudynalva – Alegria de Viver e Amar o que é Bom“Eu RECOMENDO, em caixa alta, porque este é um dos melhores livros que já li nos últimos tempos.”Estela Pilz – Penseira Literária“A trama…

Fogo...

Rostos vazios se perdem na multidão. Avançam furiosamente pelas ruas nebulosas e sempre caem nos bueiros do esquecimento. Já não há mais "ois" e nem "adeus". Há tempos deixaram de existir, apenas passam, tentando não ser alguém. Pés,mãos,gelo,nada... Imersos em questionamentos infundados, devaneios sem solução. Um a um, todos,ninguém. Me pergunto: Onde estou? Não faço parte da geleira,minha alma anseia por vida. Minhas mãos precisam urgentemente de outras mãos. Minha boca calada grita solitária esperando outro silêncio que a complete. Peças de um enorme quebra-cabeças. Espalhadas, jogadas, juntas... A vida que salta por meus olhos imploram por outros olhos e traços. Vidas que seguem, eu que paro. Vidas que param, eu que sigo. Confusão, união. Desperdício, transformação. O vazio que se completa, o gelo que queima, o fogo que gela. Eu...

Sombras...

O papel em branco à sua frente continuava em branco. Firmava os olhos, apertava-os com força e nada. A brancura persistia. Virava o papel, revirava-o. De cima a baixo, de um lado a outro. Tudo branco. Fechou os olhos e imaginou as cores. Vermelho sempre fora a cor preferida, a cor do sangue, da boca bonita, da blusa feliz. Podia sentir em sua alma o preto que pintava as noites sem lua, o amarelo que tilintava no céu azul nos dias cor de laranjas. As mãos podiam tatear as folhas verdes, moradoras fiéis dos apartamentos marrons. Em sua mente, o lilás, o cinza,o branco. A textura, o cheiro,as cores...já não importavam mais se não estivessem ali, naquele papel sem vida. Há tempos, as cores deixaram de existir em seus olhos mortos. Hoje, a festa repleta de arco-iris e jardins eram em sua alma. Alma cansada e feliz. Alma morta e cheia de vida. Por onde andavam as letras, fiéis confidentes e amigas de todos os momentos?? Também haviam se perdido ou simplesmente ido embora de carona com as…