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Vazios...

Adeus.
Te procurei pela casa inteira.
Em cada móvel empoeirado.
Em cada canto esquecido.
Em cada quina descascada.
Te procurei.
Pedaço a pedaço.
Passo a passo.
Teu cheiro espalhado.
Guarda-roupas vazio.
Gavetas bagunçadas.
Na peça de roupa esquecida no fundo do armário.
Fragmento do teu existir.
Absorvi.
Inebriei.
Desabei.
Meus dedos gelados tateando a imensidão do vazio que restou.
O eco da tua voz.
O som da tua gargalhada muda se espalhando pelo ar.
O silêncio gritando em cada cômodo.
O som dos teus passos.
Teus tênis sujos.
Teu chinelo esquecido debaixo da cama.
Olhos vagos te procurando.
Certeza dolorida.
Vazio.
A música tocando sem acorde nenhum.
Tua escova de dentes jogada no chão do banheiro.
Pedacinhos de nós espalhados na imensidão do passado.
Teus óculos jogados na estante repleta de porta-retratos.
Nossa vida dispersa no vento.
Tempo...
Nossa história de final marcado.
O fim na taça de vinho quebrada em cima da mesa.
Resquícios de mais uma tentativa em vão.
Meus joelhos dobrados.
Meus pedidos.
Minha súplica.
Olha pra mim?
Escuta meu grito?
Veja meu desespero...
Não vá embora!
Some de uma vez!!!!
Meu mendigar por um "tudo bem?"
Minhas mãos estendidas pedindo às suas.
Em cada canto, tem você.
Em cada vazio, tem nós dois.
Em cada frio dentro de mim...
Tem a solidão.
Em cada pedido meu...
Tem a sua indiferença.
O tanto faz.
O gelo que você se tornou.
O caos que você se trancou.
Os gritos que eu dei.
Teus braços cruzados.
Teu coração sereno enquanto o meu se quebrada em estilhaços miúdos.
Meu aceitar.
Teu sorrir.
Meu desespero.
Tua liberdade.
Meu morrer...
Tua possibilidade de viver.
Meu não existir...
Tua gana de ser alguém.
Vencestes!
Inegavelmente, vencestes.
Teu orgulho.
Meu desistir.
E em cada vazio da nossa história, em cada móvel, em cada cheiro, em cada som....
Há muito de mim.
E nada de ti.

Te procuro, te busco...

Dentro de mim.

E já não te sinto mais.

O amor deixou de existir.

A solidão venceu!

Você venceu...

Nós perdemos.

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