Fúria...

Os pingos fortes da chuva batem sem piedade nos vidros da janela entreberta.
A música que toca na sala, é abafada pelos trovões e relâmpagos furiosos.
Negra noite, turvas sombras...
O vinho sob o tapete, o fogo que incendia na lareira...você e eu.
Me envolves num abraço tímido,me tira do leve torpor que embriaga minha lucidez insana.
Me convida para dançar...
Seguro tuas mãos fortes e me deixo levar pela canção que já não toca mais.
Subo em teus pés, as botas não o ferem.
Me enlaça a cintura e me envolve com suavidade.
Sinto teu hálito de vinho indecente e barato...me jogo na tua boca, qual bêbada em busca do álcool que não embriaga mais.
Meus pés sob os teus pés já não sentem mais o chão que não existe.
Minha língua se move na sua boca. Sua língua áspera,grossa e molhada baila única num céu de noite chuvosa.
Tuas mãos apertam a carne das minhas costas, unham,fincam,marcam.
Me conduz com carinho,me vira de costas pra você,me devolve à seus pés.
Me contorna com teu corpo,envolve-me com teus braços.
Crava os dentes no meu pescoço alvo, enquanto tuas mãos ansiosas se desesperam em busca dos meus seios sob a blusa.
Entumecidos ficam em teus dedos. Gritam calados do desejo que queima o corpo.
Me derreto nos teus braços,me acho em você.
Minhas mãos nervosas te buscam,minha boca sedenta te pede.
Acho teu membro ereto, rijo,meu...Teu desejo exposto de forma crua é envolvido pelos meus dedos ágeis e imaturos.
Meu gemido é calado pela tua boca feroz, que aperta, machuca,se alimenta.
Todas as barreiras foram despidas,nossos corpos colados, suados e molhados...
Ao som da chuva que não cessa,me curvo lentamente e te recebo dentro de mim.
Forte, intenso...de uma vez.
A fúria toma seu espaço, conduz os movimentos incessantes.
Na nossa matemática incomum e doentia, um mais um é um...E nesse instante, em que nossos corpos se explodem juntos num gozo interminável, a única coisa que realmente nos importa, é que a chuva continua caindo impiedosa, batendo nos vidros da janela que se abriu por inteira.
Adormecemos ali,no chão molhado pela chuva, pelos suores, pelo desejo.
Cheirando a vinho, a paixão, a sexo...

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