Morfina...

Uma lágrima cai.
Em meio a tantas outras que borram o papel a minha frente.
Não dói.
Só dói.
Não sinto.
Sinto.
Falta.
Raiva.
Decepção.
Tristeza.
Nada.
Um borrão se forma.
Em meio a tantos outros borrões que já não entendo.
Frases não formuladas.
Rimas não procuradas.
Inspiração.
Vazio.
As últimas palavras que não foram rabiscadas.
O último rabisco que não desenhado.
Nada.
Não sei mais o que sinto.
Nem sei mais se sinto.
Não sinto.
Nada dói.
Nada fere.
Nada.
Não sou.
Nunca serei.
Não sinto nada.
Ninguém será tão infeliz quanto eu fui.
Ninguém é tão vazio quanto eu sou.
Já não restou mais nada.
Não quero mais acordar.
O pesadelo está prestes a acabar...

Uma lágrima cai...e mancha de sangue a tela.
Não há mais arrependimento.
Não há mais dor.
Acabou.

Todos os dias ela acorda desejando dormir para sempre.
Todos os dias ela não quer mais estar em casa.
Todos os dias ela sofre calada.
Todos os dias ela se cala.
Todos os dias...

Nenhum dia a mais.
Sempre só.



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